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Emissários do Diabo (Gilvan Lemos) #Resenha1

Gilvan Lemos, você conhece este autor? 😉

Antes de ler a resenha, aqui vai uma minúscula sinopse que encontrei na internet:

Emissários do Diabo, de Gilvan Lemos, narra com segurança e precisão a escalada do latifúndio sobre a pequena propriedade num momento histórico de profundas transformações sociais. Com estrutura unitária, um estilo denso e vigoroso e alternando o foco narrativo entre personagens, Emissários do Diabo retrata com força e inteligência a realidade brasileira do século XX, sem filiações literárias limitadoras.

Minha opinião!

“Emissários do Diabo” é um daqueles livros em que, ao ler a última palavra da última página, todos os pêlos do corpo de um leitor embasbacado põem-se a arrepiar! Por se tratar de um livro redigído sob um português “antigo” (1968), o leitor pode se assustar com algumas mudanças na ortografia, mas nada que umas vinte páginas não façam com que o mesmo se acostume com a obra prima em suas mãos.

Outro fator que também causa estranheza é o uso exacerbado dos pontos e vírgulas.  Inicialmente, este recurso deixa a leitura um pouco cansativa. Mas quando se percebe o propósito de seu uso, ou seja, quando nota-se que os pontos e vírgulas em excesso servem, na verdade, para expressar o sotaque nordestino, a leitura flui e quem folheia as páginas de “Emissários do Diabo” sente-se, literalmente, “um cabra macho” que acompanha o desenrolar da trama de perto, mas bem perto mesmo!

E por falar em trama, não posso deixar de comentar os dois pontos fortes do livro; a família e a propriedade. Camilo, o protagonista calado e sofredor, consegue mostrar, com toda a sua simplicidade, o que um homem é capaz de fazer e suportar para sustentar a família e defender sua humilde propriedade dentro da dignidade daqueles que se recusam a vender a sua honra e orgulho.

Para melhor ilustrar a grandiosidade desta obra, vou tomar emprestado um trecho da orelha do livro, aqui vai: “Nas raízes do conflito, misturam-se interesses econômicos, causas sociais, motivos psicológicos, intrigas de família, circunstâncias históricas. As situações e os personagens estão carregados de verdade, são densos, superam a mediania e se elevam ao nível da tipicidade: não são abstratamente universais e nem patologicamente singulares.”.

Além disto, como não poderia faltar, existe também um grande desencontro amoroso envolvendo parentes; Camilo e sua prima, Ercília. Entretanto, que o autor me desculpe, mas eu acho mesmo é que o grande amor do nosso personagem bruto e rústico não precisou de desencontros para florescer. Afinal, que homem não amaria uma jovem tão guardiã e leal como Guiomar, a mulher que sempre esteve presente na vida de Camilo, até mesmo quando ele sequer a notava?

Você deve estar confuso depois do parágrafo acima, estou certo? Pois então, calar-me-ei, caso contrário, posso correr o risco de contar uma história que você ainda não teve a oportunidade de viver, não é mesmo? Portanto, fica a dica, corra para o sebo mais próximo de sua casa e procure o livro aqui resenhado. Você irá se deliciar com personagens como Camilo, Ercília, Guiomar e muitos outros que aqui não citei, mas com certeza farão de você, caro leitor, uma pessoa um pouco mais humana.

Em tempo: Se existissem mais “Camilos” dentro de todas as famílias, a humanidade seria infinitamente melhor…

P.S. Tive a sorte de comprar o livro “Emissários do Diabo”, num sebo no centro de Maceió, com a dedicatória do próprio autor, assinada em 1970! Como uma curiosidade, reproduzirei aqui o que foi escrito pelo próprio punho do autor (à caneta) há mais de 40 anos: “Para Stella, numa manhã de muito sol (a despeito de junho), com o abraço do colega – Gilvan Lemos – Recife, 1970”.

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